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Eletroconvulsoterapia

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O que é eletroconvulsoterapia?

A eletroconvulsoterapia (ECT) constitui um tratamento extremamente eficaz e seguro para doenças neuropsiquiátricas refratárias a tratamentos convencionais. É apenas uma das formas de emprego da eletricidade na medicina.

Consiste na promoção de um estimulo elétrico no cérebro para induzir uma crise convulsiva monitorada, com duração de cerca de 15 segundos, com a finalidade de diminuir os sintomas da doença a ser tratada. 

São necessárias algumas sessões, geralmente 12, para remissão ou mitigação dos sintomas.

É um tratamento regulamentado pela Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), conforme Resolução CFM nº 1640/2002. 

Mecanismo de Ação

Apesar da eficácia incomparável, não se conhece um mecanismo definitivo que explique a ação terapêutica da ECT. A estimulação elétrica provoca alterações no funcionamento do organismo como um todo, que vão de efeitos no sistema nervoso autônomo, endocrinológico e cardiovascular às repercussões cerebrais da atividade convulsiva sejam elas metabólicas (consumo de glicose e oxigênio e alterações no fluxo sanguíneo), eletrofisiológicas (padrões de condução do impulso nervoso, conexões e redes neuronais), neuroquímicas (neurotransmissores, receptores sinápticos e secreção de neuropeptídeos) e alterações da expressão gênica e síntese proteica. O efeito sobre o comportamento provem de tais alterações.

Outros exemplos indiscutíveis da ação da ECT:

  • neurogênese (proliferação dos brotos dendríticos);
  • neuroplasticidade (aumento das fibras musgoides);
  • neuroproteção (robustez do citoesqueleto);
  • indução genética responsável pelo aumento do BDNF (fator neurotrofico derivado do cérebro) e do FGF-2 (fator de crescimento de fibroblastos);
  • decréscimo na indução do gene blc-Xs (responsável pela morte ou apoptose neuronal);
  • diminuição da concentração de marcadores de degeneração neuronal (proteína tau, neurofilamentos, proteína S-100 beta) no liquor de pacientes submetidos à ECT.

Indicações 

Os transtornos de humor (depressão unipolar ou bipolar, depressão com características catatônicas, depressão associada a doença de Parkinson, mania, estado misto do transtorno bipolar) ainda representam a principal indicação de ECT, seguidos por quadros psicóticos graves. 

Outras indicações: catatonia de outras etiologias (oriunda de doença psicótica, hipertermia maligna e síndrome neuroléptica maligna) e epilepsia grave.

Embora a indicação deste procedimento, na maioria dos casos, ocorra após à refratariedade dos sintomas às medicações, evidências sugerem que a ECT tem efeito antidepressivo mais intenso comparado ao efeito de drogas antidepressivas. 

Há critérios específicos que recomendam o uso da ECT como primeira escolha de tratamento: situações nas quais torna-se necessária uma resposta rápida em função da gravidade dos sintomas psiquiátricos, tais como: risco de suicídio, desnutrição secundária à catatonia; pobre resposta ao tratamento medicamentoso;  situações em que a medicação pode oferecer maiores riscos (idosos polimedicados, pessoas com comprometimento renal ou hepático, gestantes, puérperas em aleitamento materno), boa resposta previa à ECT, preferência do paciente.

Como o procedimento é realizado?

O paciente é levado para o centro cirúrgico, onde a equipe de enfermagem realiza a punção venosa para que o anestesista administre medicação hipnótica (para o paciente dormir) e relaxante muscular (para que a convulsão se restrinja ao cérebro e não se propague para o restante do organismo). As funções vitais do paciente são monitoradas durante todo o procedimento.

Posteriormente, o psiquiatra posiciona os eletrodos no crânio do paciente e libera o estimulo elétrico, a partir do aparelho Spectrum 4000 M (MECTA®), com duração entre 5 e 8 segundos, induzindo a crise convulsiva no cérebro do paciente. 

Alguns minutos depois, o paciente acorda e permanece no centro cirúrgico por mais 20 minutos aproximadamente, tempo suficiente para a recuperação completa do nível de consciência e vigília. Logo, então, retorna à enfermaria do hospital, onde o familiar acompanhante o aguarda, para fazer o desjejum e receber alta. 

O psiquiatra responsável pelo procedimento de ECT avaliará a resposta ao tratamento junto ao paciente e seus familiares a cada sessão.

Posteriormente ao tratamento inicial (geralmente 8 a 12 sessões), o psiquiatra que acompanha o paciente (aquele que o encaminhou para o serviço de ECT) avaliará a resposta clinica ao procedimento e definirá o tratamento de manutenção.

Efeitos colaterais 

Os principais efeitos colaterais de ECT são:

  • desorientação temporo-espacial ao despertar da anestesia;
  • perda temporária de memória;
  • cefaléia;
  • dor muscular;
  • náusea.

Tais efeitos variam de acordo com parâmetros técnicos como o tipo de onda utilizada, a posição dos eletrodos, a intensidade do estímulo e o número e a freqüência de aplicações, além da idade do paciente e da presença de disfunção cerebral prévia ao início do tratamento.

Vale ressaltar que os quadros depressivos e psicóticos costumam ser acompanhados por alterações cognitivas. Na segunda edição do livro The practice of eletroconvulsive therapy: recommendations for treatment, training and privileging , da American Psychiatric Association (APA), a maioria dos paciente relata melhora do desempenho cognitivo após a ECT. 

Contra-Indicações

Constituem contra-indicações para realização de ECT:

  • tumores cerebrais expansivos, que resultem em aumento da pressão intracraniana e edema cerebral;
  • infarto agudo do miocárdio recente;
  • acidente vascular cerebral hemorrágico ou isquêmico recente e
  • aneurismas cerebrais não tratados.

“Não é nosso dever defender as terapias de choque, mas é nosso dever aliviar o sofrimento dos doentes mentais” , Ugo Cerletti.

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